terça-feira, 23 de março de 2010

Dicas de alguns livros.

Matéria enviada por Simone Chair.


MENTES INQUIETAS- (2003)
SILVA, ANA BEATRIZ B.
GENTE
PSICOLOGIA

MUNDO DA LUA- (2008)
MATTOS, PAULO
CASA LEITURA MEDICA
PSICOLOGIA

"TRATAMENTOS BIOLÓGICOS do AUTISMO e TDAH", Dr. Willian Shaw

" MEU GUERREIRO FAMOSO", de Danyelle Perorazio

" SEGURANDO A HIPERATIVIDADE", de Mara Narciso

" DIETAS ESPECIAIS PARA CRIANÇAS ESPECIAIS: COMPREENDENDO E IMPLANTANDO A INTERVENÇÃO DIETÉTICA PARA CRIANÇAS AUTISTAS ", Dra. Lisa S. Lewis Ph.D

" DESCOBRINDO O MISTÉRIO DO AUTISMOS E TGD", de Karyn A. Seroussi

" MELHORANDO A QUALIDADE DE VIDA DE SEU FILHO AUTISTA OU HIPERATIVO", Dra. Letícia Dominguez

" MENTE CRIATIVA" -(2006)
CALLEGARO, JUAREZ NUNES
VOZES
MEDICINA E SAUDE

Lançamento de Livro - EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Prezados,
Recentemente lançamos um livro sobre Educação Inclusiva, cuja resenha vai abaixo.
Esperamos colaborar com o entendimento dos direitos dos educandos e obrigações de governo com relação ao tema.
Um grande abraço dos autores.
Educação Especial e Sistema Jurídico Brasileiro
Uma análise da legislação brasileira para a Educação Inclusiva
Autor: Julis Orácio Felipe e Rosana Cristine de Limas Felipe
A educação especial no Brasil ainda engatinha, apesar dos esforços de muitos profissionais. Após o esforço conjunto de várias pessoas ao redor do planeta ainda é possível perceber a discriminação e a falta de iniciativa do poder público para promover não somente a educação inclusiva mas para coibir todas as formas de discriminação existentes. Há ainda um longo caminho a percorrer. A proposta dessa obra é facilitar aos profissionais envolvidos com o tema a compreensão do sistema jurídico brasileiro voltado para a temática.
Está disponível no site www.clubedosautores.com.br

" EU E MEU AMIGO DDA" , de Marcus Deminco (Déficit de Atenção)

"OLHE NOS MEUS OLHOS- (2008)
ROBINSON, JOHN EDER
LAROUSSE DO BRASIL
BIOGRAFIAS, DIARIOS, MEMORIAS & CORRESPONDENCIAS

Relato autobiográfico de John Elder Robison (Síndrome de Asperger)

" MENINA ESTRANHA, UMA-(1999)
GRANDIN, TEMPLE / FLAKSMAN, SERGIO / SCARIANO, MARGARET M.
COMPANHIA DAS LETRAS
BIOGRAFIAS, DIÁRIOS, MEMÓRIAS E CORRESPONDÊNCIAS

Relato autobiográfico de Temple Grandin (autismo)

"ESTRANHO CASO DO CACHORRO MORTO- (2004)
HADDON, MARK
RECORD
LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES

(autismo)

Livros Infantis Ensinam Valores Morais às Crianças


*A LAGARTIXA QUE VIROU JACARÉ - (2004)
GUILHERME, IZOMAR CAMARGO
MODERNA EDITORA
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

A lagartixa se achava infeliz e fazia de tudo para virar jacaré, conseguiu e se arrependeu acreditando que o melhor é ser como somos.

*O LIVRO DOS SENTIMENTOS- (2007)
PARR, TODD
PANDA BOOKS
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

Uma delícia, mostrando sentimos e temos vontade de fazer várias coisas como: às vezes eu me sinto corajoso, às vezes da vontade de ficar na janela o dia todo...Frases assim curtas, colorido e ilustração legal.

*JULIA E SEUS AMIGOS- (2005)
CRESPO, LIA
NOVA ALEXANDRIA
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

Uma menina cadeirante em sua nova escola.

*A ESCOLA DA TIA MARISTELA - (2008)
CIRANDA DAS DIFERENÇAS
HONORA, MARCIA
CIRANDA CULTURAL
INFANTO-JUVENIS

Um escola de golfinhos e um deles é portador de déficit de atenção com hiperatividade, mostrando que há várias formas de aprendir, repetir o ano não é problemas, pois o importante é não desistir nunca.

*UM AMIGO ESPECIAL - (2006)
DIFERENÇAS E COSTUMES
PEDERIVA, CRISTIANE
MELHORAMENTOS -
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

Júlio e seu maigo Mauro, que é cego, passa um dia na fazenda.

*A HISTÓRIA DO TATU - (2001)
LELE DA CUCA
ROBB, JACKIE / STRINGLE, BERNY
ATICA
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

Tatu queria tocar em uma banda mais tocava instrumentos muito mal e todos reclamavam, até que descobriu que suas escamas era seu próprio instrumento e fez o maior sucesso com o que tinha. As vezes nossos talentos estão bem na cara!

*ORELHA DE LIMÃO- (1999)
REIDER, KATJA
BRINQUE BOOK
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

A preferida da minha filha, a ovelha nasceu com uma orelha verde e todos a colocavam apelidos e ela achava que tudo dava errado na sua vida por causa de sua orelha verde. Até que um carneiro fingiu que pintou sua orelha de branco e tudo começou a dar certo, quando percebeu que sua orelha continuava verde e tudo estava bom, viu que depende de nossos pensamentos e atitudes para tudo dar certo em nossas vidas. Auto estima é tudo!

*O PINTINHO QUE NASCEU QUADRADO -(2007)
CHAMLIAN, REGINA / ALEXANDRINO, HELENA
GLOBAL EDITORA
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

Ramon não gosta, se recusa na verdade rsrsrs. A galinha foi expulsa do galinheiro pois se recusou a jogar fora seu ovo quadrado. Saiu no mundo com seu ovo e depois pintinho quadrado, até que um dia encontrou vários bichos "diferentes' e excluídos das comunidades e formaram uma grande família. Reflexão gostosa.

*O HOMEM QUE AMAVA CAIXAS-(1997)
KING, STEPHEN MICHAEL
BRINQUE BOOK
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

Todo o mundo achava aquele senhor muito esquisito em colecionar caixas de papelão e fazer coisas, mas ele e seu filho sabiam que era a forma dele demonstrat todo o amor por seu filho em ações em vez de palavras.

*IGOR O PASSARINHO QUE NÃO SABIA CANTAR (2006)
KITAMURA, SATOSHI / BRANDAO, EDUARDO
CIA DAS LETRINHAS
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

Era desafinado tinha péssima voz, mas achou um amigo que achava ótima a sua música e formaram uma dupla.

*NINGUEM GOSTA DE MIM! -(1999)
KRISCHANITZ, RAOUL
BRINQUE BOOK
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

Um cachorro saiu pela rua e só de olhar para os bichos achava que todos corriam dele e não gostavam dele. Até que um bicho sugeriu que ele fosse perguntando aos bichos, e todos fizeram uma grande amizade. Nada de tirar conclusões precipitadas com suposições!

*POR QUE TER MEDO? (2002)TERAPIA INFANTIL
WIGAND, MOLLY / ALLEY, R. W. - PAULUS EDITORA
INFANTO-JUVENIS

Minha pequena era muito medrosa e esse livro me ajudou a lidar com esse sentimento dele e ajudá-la a superá-lo, mostrando que ter medo é normal e podemos superá-los.

* NÃO FUI EU!- (1999)
VALORES
GORDON, MIKE / MOSES, BRIAN
SCIPIONE
INFANTO-JUVENIS

A mentira nos leva a situações desastrosas piorando as coisas, sendo melhor assumir. discute no dia a dia da criança o que é honestidade.

*SOMOS UM DO OUTRO- (2009)
PARR, TODD
PANDA BOOKS
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

É lindo bem ilustrado e frases curtas como todos os livros desse autor, trata sobre adoção, mas utilizei aqui em casa, para falar que há vários tipos de família (como a nossa que sou só eu e eles, pois sou separada) e o que importa é o amor e a união. que não somos a única família a ser diferente.

*TUDO BEM SER DIFERENTE- (2002)
PARR, TODD
PANDA BOOKS
INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

Deixei por último, pois é o do Ramon e o meu o mais preferido de todos! Bem colorido e ilustrado, as frases são: tudo bem ter nariz diferente (um elefante com um narizão comprido), tudo bem ter cor diferente (duas zebras uma colorida de preto e branco outra de cores sortidas), tudo bem ter rodas, tudo bem usar óculos, tudo bem comer macarrão com almôndegas na banheira, tudo bem chegar em último...e termina TUDO BEM SER DIFERENTE. VOCÊ É ESPECIAL E IMPORTANTE APENAS POR SER COMO VOCÊ É.


VALE LEMBRAR QUE OS RESUMOS E CONCLUSÕES SÃO MINHA, CADA UM AO LER OS LIVROS PODE TER DIVERSOS TIPOS DE INTERPRETAÇÕES DIFERENTES E COMO SOU BEM FANTASIOSA E EMOCIONADA AOLER UM LIVRO ENTÃO POSSO TER EXAGERADO NA FANTASIA.
TAMBÉM TEM ALGUMAS DICAS DA LEILA “AMOR SUPERA AS DEFICIÊNCIAS”.

Amizade


Fany Simberg


Nada é mais maravilhoso do que ter um amigo, parece algo tão fácil de fazer, mas na verdade não o é, saber conquistar o outro, “cativá-lo”, é umas das coisas mais difíceis no relacionamento humano. Primeiro temos que nos amar, para depois podermos amar o outro, então compartilhar, dividir e doar-se. A amizade deve ser duradoura e nem a distância possa apagá-la, podemos considerar que se você conseguiu um amigo, você conquistou o mundo.

Podemos dizer que a amizade é uma unidade, uma troca de interesses, uma combinação, uma empatia, dar e receber, sentir como se fosse o outro, um amor profundo, um sentimento inexplicável, é um choro em comum, uma única alegria, é dar sua vida pelo outro, segurar nos braços nos momentos tristes, e dar a mão ao amigo e puxá-lo para prosseguir a vida, é dizer sim e dizer não, estar presente quando se precisa, ir embora para não atrapalhar, é ver o tempo passar sem mesmo perceber o quanto foi, querer mostras as coisas que ganhou, dividir as coisas boas, saber compartilhar segredos e guardá-los, ser cúmplice “no bom sentido”, é ouvir e falar, ser leal e verdadeiro, no fim se tornará mais que um irmão.

Amizade não se compra e nem se vende, é doada, e para isso é necessário que os dois lados façam isso, não se consegue uma amizade só de uma parte ou só pelo interesse, não se faz de um dia para o outro, tem que ser construída, como uma casa na rocha, a amizade que nasce de um coração puro é para a vida toda.

Porém a amizade tem que ser sadia, em todos os sentidos, ela não pode sufocar o outro e nem destruir o outro, tem que ser zelosa, cuidar daquilo que se cativou.
É simplesmente amar e ser amado.

Em “O pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry, ele usa frases que podem exprimir muito bem a amizade, alguma delas:

“O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem.”
“Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
“Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.”
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
“Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante”
“Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo.”
“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar...”
“Viva o hoje, pois o ontem já se foi e o amanhã talvez não venha.”

Encontrei esses dois vídeos que, a meu ver, exprimem dois tipos de amizade.
A da nossa infância que fazermos relação com nossos brinquedos e a amizade mais pura de um cão.
http://www.youtube.com/watch?v=ecR9u2zTfz0
http://www.youtube.com/watch?v=f4bTLSLIgbE

Todos nós sabemos o que é a fase da adolescência, pois tivemos que passar por ela, não dá para pular, sem muitos conflitos ou com todos eles, uma transição boa ou de “tédio”.

Apesar de alguns tentarem esquecer-se de como foi essa passagem ou dizerem que em sua época era diferente, devemos relembrar como nos comportávamos e os nossos sonhos, o que pensávamos dos adultos e dos nossos pais. Para agora adultos e pais, podermos ajudar nossos filhos e a nós também, sabendo que é um tempo de separação, e isso não queremos admitir, que eles cresceram e não olharão para nós como antes, mesmo que nós continuemos a olhá-los como nossos bebês.

É uma das fases mais maravilhosas, é uma transição entre o ser criança e o ser adulto, antes eram completamente dependentes de nós, os pais, ou de outros chamados responsáveis, e de uma hora para outra, querem ser mais independentes e tomarem suas próprias decisões. Será que achamos que isso é fácil? Creio que não, nem para eles e nem para nós.

Adolescentes, não são aborrecentes e nem são seres de “Tédio” ou qualquer outro jargão que queiram colocar, essas “pessoinhas” são maravilhosas, vão de um pólo ao outro, do sorriso as lágrimas, da tristeza para alegria, dos sonhos à realidade, da paixão ao ódio, do primeiro amor como fosse o último e de vários amores, de querer voar sem ter asas, de pegar um barco sem remos, de querer ser tudo e nem saber o que quer ser, de questionar porque o cabelo é assim a porque ele não é, de querer tudo e o nada, de ser inseridos em um grupo de pares e querer ficar sozinhos, de viver intensamente e morrer para acabar com essa agonia, de gostar de desenhos animados e dizer que isso é coisa de criança, de não querer limites, mas ansiar por eles e que nós os pais digam a eles sobre as regras, e de dizer: “beijos dos pais, nunca mais”, principalmente na frente dos amigos, apesar de ansiar por uma despedida com bastante beijos e palavras de que sentiremos saudades e cheia de abraços, se seguram pois “não pega bem”.
Poderíamos aqui falar tantas coisas, que envolve esse universo, mas termino dizendo que feliz de nós, pais, ter essa oportunidade de estar ao lado deles e estarmos sendo deles o porto seguro que eles esperam que sejamos e quando partirem poderemos dizer que eles tem um lugar para voltar e estacionar o barco e que tem um lar, e tem com quem conversar e que os amamos.

No menu entrevista há uma conversa com um adolescente, com o RGSV.


Tem uma música de Arnaldo Antunes, interpretada pelo Nando Reis que exprime no meu entender essa fase, a letra está em seguida e poderão ouvir clicando no link abaixo.

Não Vou Me Adaptar – Arnaldo Antunes
Nando Reis esta cantando

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia,
Eu não encho mais a casa de alegria.
Os anos se passaram enquanto eu dormia,
E quem eu queria bem me esquecia.

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar (2x)

Eu não tenho mais a cara que eu tinha,
No espelho essa cara já não é minha.
Mas é que quando eu me toquei, achei tão estranho,
A minha barba estava desse tamanho.

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar me adaptar
Não vou me adaptar!
Me adaptar!

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia,
Eu não encho mais a casa de alegria.
Os anos se passaram enquanto eu dormia,
E quem eu queria bem me esquecia.

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou me adaptar!
Não vou!

Eu não tenho mais a cara que eu tinha,
No espelho essa cara já não é minha.
Mas é que quando eu me toquei, achei tão estranho,
A minha barba estava desse tamanho.

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou me adaptar!
Não vou!
Não vou me adaptar!Eu não vou me adaptar!
Não vou! Me adaptar!

http://www.youtube.com/watch?v=2rGA1olf-ZI









Grupo inspirare entrevista um adolescente

R.G.S.V. você se recorda dos primeiros anos de escola?

Sim eu me lembro.

Pode contar um pouco?

Sim posso.
Eu me lembro que estava no pré e tinha um monte de gente chata, eu me lembro de um dia meu amigo foi me visitar, para ver se ele estudaria lá e eu achava que ia ser legal, pois finalmente eu teria um amigo na escola, mas ele não ficou.

Você se achava diferente dos outros colegas da escola?

Não muito.

O que você quer dizer com não muito?

Eu tinha um pouco de dificuldade de ler e escrever, fazer uma cópia da lousa e tudo mais, mas era porque eu não tinha conhecimento que era normal ter isso, essas dificuldades.

Como assim era normal ter isso?

Quem não tem dificuldade em alguma coisa? quando você ainda não aprendeu algo?

Como você se sentia na escola e como você se sente atualmente?

Sentia um tédio e até hoje continuo sentindo, e acho que mais prá frente vai continuar igual, até que eu faça alguma coisa de bom na escola.

Lembra-se de ter tido mais dificuldades em entender, o que estavam ensinando, do que os colegas de sala de aula?

No momento eu não me lembro, pois nas minhas lembranças eu já sabia que tinha mais dificuldades que os outros, pois meus pais nunca esconderam o que se passava comigo e o que era aquilo, minha Dislexia.

Você tem conhecimento do que seja Dislexia?

Sim.

Como você se sente em relação a isso?

Sinto-me normal como sempre.

Isso não interfere em sua vida?

Isso interfere entre mim e os professores e a escola, mas não interfere em mim mesmo no que sou.

Você sente vergonha por ser disléxico?

Não.

Mas se fizerem gracinha com você? Por causa de sua escrita e leitura?

As pessoas nem sabem o que é dislexia e nenhum aluno lá na minha escola sabe sobre isso.

Mas se soubessem e fizessem gracinha como você levaria isso?

Eu levaria numa boa, sou mesmo e pronto, e diria mais... quem é “normal” o bastante aqui para dizer que o outro que não é? Você já se viu no espelho?.

Vou te apertar...sendo adolescente você tem certeza de sua resposta?

Absoluta! Mas tenho que dizer que há limite para tudo, claro que não sairia batendo em ninguém por causa disso, mas espero que isso não aconteça num dia que eu levante de mau humor, poderia dar uma resposta que não gostariam e comunicaria à direção da escola, e ia querer uma resposta do ocorrido pela direção. Faço isso mesmo, vou até a sala da diretora e falo para ela tomar as providências, que isso eu não aceito, há limite para tudo.
Sou uma pessoa e mereço respeito.

Como os professores agem com você antes e depois de saber que tem “dislexia?

Eles agiam como ignorantes e continuam agindo igual, mesmo depois de saber.

Por quê essa sua revolta? Pode falar? Você continua com problemas com os professores?

Continuo... Tudo que eu faço eles não entendem, insistem em que eu copie da lousa, que eu leia, escreva, faça contas, desenhe, corte, faça arte, pinte os desenhos. Mesmo sabendo de minhas dificuldades, que demoro em fazer essas atividades, eles só gritam “copia” “vai logo” “preguiçoso” e por ai vai, às “lindas palavras” que eles falam.... E agem como eu disse, uns ignorantes..., ao invés de, por exemplo, me dar o material impresso.

Eles estavam interessados em te ensinar?

Eu não sei ao certo, quem sempre me ensinou e tem interesse que eu aprenda mesmo, de verdade, são o meu pai e minha mãe.

Agora você entrou na adolescência, deve ser mais difícil para você, pois é um momento de grande mudança, a minha pergunta é: Se os seus colegas aceitam você em grupo de trabalho no colégio? Pois você deve estar fazendo isso?

Entrei na adolescência e para mim não mudou nada, sei lá, quanto aos trabalhos em grupo, nem posso dizer nada, eu tento evitar entrar em um grupo, pois sempre há confusão e nem sempre ou quase nunca me convidam e quando entro, ele se desfaz e acabo fazendo sozinho...acho que me acostumei...meu grupo: sou eu mesmo, minha mãe e meu pai, que me orientam e que discutem comigo, como fizessem parte de um grupo...eles são o meu grupo e meus orientadores.

Afinal, o que você poderia dizer sobre esse universo escolar?

Que eles não nos incentivam a estudar e causam mais desprezo pelo estudo e pelo conhecimento e isso não acontece só comigo, mas posso dizer que isto acontece com quase todo mundo e principalmente com as pessoas que tem dificuldades em aprender, pelo menos do jeito que eles ensinam... Poderiam mudar a maneira de ensinar.

Para terminar, o que você diria a uma pessoa que tem Dislexia? Deve ficar incomodada com esse Rótulo? Sendo você um adolescente como vê isso?

Essa é uma pergunta interessante. Eu diria.

Vocês sempre tiveram isso, nasceram assim... Foram sempre normais, sempre com suas dificuldades e sempre foram felizes consigo mesmas e com suas famílias, e agora que tem uma palavra que difere você dos outros, vocês acham que isso é uma doença? Uma coisa horrível? Não é não...como vou dizer...pensamos diferente, agimos diferente, mas somos iguais aos outros, somos pessoas e quem disse que tem que ser tudo igual, seria muito chato.

Vocês sempre tiveram isso..., vocês são “normais”, tanto quanto os outros são, mas agora você tem um nome para as suas dificuldades, vocês se sentem arrasados sendo vocês mesmos, como são?? é melhor do que chamarem de preguiçosos ou burros, isso sim é um rótulo, ruim...agora “Dislexia” até é um nome oponente e certo para definir os seus problemas ou melhor as nossas dificuldades... Temos inteligência suficiente para reconhecermos isso e não precisamos nos sentir mal por isso, digo mais, a minha mãe me contou da polêmica que “dislexia não existe” e sobre ficar com esse rótulo marcado pelo resto da vida... estão mais preocupados com o rótulo ou com a vida das pessoas e ajudá-las? Sinto pena e dou risada,.... Vocês se sentem arrasados com isso? Sempre vão ter pessoas assim que questionarão tudo, até mesmo se existe lá sei eu o que.....e sempre existirão pessoas “Disléxicas” como nós.

Deixem os outros prá lá e sigam a sua vida, vão em frente. Eu quero viver muito, eu quero aproveitar as coisas boas que Deus fez no mundo e as ruins deixo prá lá. Façam o mesmo, sejam felizes, vivam.

O que você diria aos pais que tenham filhos “disléxicos”?

Amem eles....(fofo...ganhei um beijo).




Grupo inspirare entrevista parte 2

Hoje como ele está? E ele tem consciência de sua Dislexia?

Pelas características de suas dificuldades e os esforços empreendidos por e para ele, esconder seria inútil e contraproducente, assim desde o diagnóstico de BH. ele soube de seu transtorno, e procurou superá-lo.

Nunca escondemos dele o diagnóstico, até para preservar sua auto-estima, e ele tomar consciência de que, o que acontecia não era sua culpa, e nem burrice, ou incapacidade de aprender, um ALIÍVIO para ele, e que nós o ajudaríamos em suas dificuldades, ele aprende de forma diferente dos irmãos e dos colegas de escola. Sempre incentivamos para que chegue onde quiser, mesmo demorando mais um pouco que os outros.

Hoje ele prefere atividades solitárias como ouvir música, fazer caminhada sozinho, não lê livros visando o lazer, mas ambiciona fazer duas faculdades paralelas como o irmão mais velho.

Apesar da evolução na leitura queixa-se que em textos longos muitas palavras travam, e ele precisa parar, esperar um pouco, lembrar da fonética das sílabas, e voltar a leitura um pouco atrás para não perder o fio da meada. Em véspera de provas nós lemos para ele toda a matéria em sequência para reforçar a memorização. Ele tem tirado boas notas, 3 dez em história. Quanto orgulho....

Está enfrentando problemas com português, matemática, física, biologia e química (duas notas 10, mas sente dificuldade com a tabela periódica), Inglês não aprendeu nem o xulo ensinado nas escolas, tentamos o espanhol imaginando que um idioma com fonética parecida com o nossa facilitaria, mas pelo contrário de nada adiantou, e infelizmente sempre existem colegas engraçadinhos dizendo: “Você vai repetir o ano porque não tem nota em Espanhol”, e muitas vezes vejo com pavor que nuvens de desanimo se adensam em sua mente e que suas forças estão se esvaindo, assim eu o incentivo, e mostro que deve confiar em si mesmo e em nós.

Sabemos que hoje é questionada a Dislexia como você vê isso como MÃE?

Quem questiona nunca viveu com um disléxico, nunca teve sobre seus ombros a angústia de educar um filho com este transtorno, sequer deu aula para um, não tem alma, nem sentimentos, não conhece a palavra benevolência, amor, compaixão com o sofrimento alheio.

Estes questionadores devem aproveitar seu tempo com assuntos mais úteis para a humanidade, deveriam sim pesquisar as causas, conhecer a fundo a experiência de famílias que possuem este transtorno entre seus filhos, procurar entender primeiro o processo e depois eu duvido que alguém seja capaz de questionar, ou creditar a laboratórios e a colegas de profissão o pior dos conceitos, se fizessem isso e com a competência que têm, com certeza aliviariam o sofrimento nosso e de nossos filhos, aí sim prestariam grande serviço à humanidade.

Se questionam o que existe, nós pais e nossos filhos disléxicos ansiamos por novos tratamentos que ponha fim aos nossos sofrimentos, seja com que nomenclatura for.

Alguém questiona outros transtornos neurológicos ou psiquiátricos? Não, por quê? Porque eles estão aí para os olhos ver e para que nossos sentidos percebam a diferença, são fáceis de identificar, tornam-se inegáveis.

O grande problema da dislexia é que o transtorno não é visível aos olhos.

Os olhos não vêem muitos dos segredos ainda insondáveis do cérebro humano, a máquina mais fantástica que podemos conhecer, foge à explicação e mesmo com toda a tecnologia disponível muitos mistérios ainda se encontram por se mostrar.

Querem apenas contestar a ciência conhecida, não apresentam contra prova convincente, do que já se tem reconhecido em países avançado há século, há tempos respaldado pela Organização Mundial da Saúde, assim estão tentando fazer dos nossos filhos suas cobaias.

Que conselho você poderia deixar para as novas mães?

As mães cujos filhos têm problemas com a escola, procurem um neuropediatra, o quanto antes for detectado os problemas melhor para o seu filho, se necessário procurem mais de um neurologista, tenham sempre senso crítico até com relação aos profissionais, procurem no mínimo opinião de dois, melhor três, não aceite que lhe imputem culpas que não temos.

Que façam um diagnóstico e expliquem o motivo das dificuldades do seu filho.

Não permita que seus filhos sejam considerados burros, lerdos, preguiçosos pela escola, não existe criança que não queira aprender como os colegas, crianças inteligentes como são os disléxicos, sabem de suas dificuldades, e não gostam se sentir diferentes dos seus pares eles percebem a diferença e sofrem com isso, sua auto-estima fica baixa, e por isso podem adotar comportamento agressivo.

Imagine o que é para uma criança ser obrigada a ir à escola todo dia, ficar sentada durante quatro horas, sem entender nada do que o professor está ensinando? Você como adulto de que forma reagiria?

Não se deixem enganar por discursos subjetivos como muitos vêm querendo nos impor.

Será mesmo verdade que amamos um filho mais que o outro?

Porque entre meus três filhos apenas um sempre teve problemas com seus estudos? Será mesmo verdade que eu os amei ou os criei de maneira diferente?

Quantas escolas o rejeitaram?

Perdi a conta.

Relate um episódio marcante nessa caminhada com relação à educação de seu filho?

Ano passado meu filho fez um cursinho de férias no SENAI, Manutenção de Computador sempre a mesma área eletro-eletrônica, lá o professor lia a apostila para os alunos, explicava e imediatamente os alunos colocavam em prática a teoria apresentada.

Meu filho aprendeu tudo que foi ensinado, não necessitou de ajuda, não esqueceu nenhum detalhe, e hoje quando na casa precisa de alguma manutenção nos computadores inclusive o Leep Top dele, ele faz a sem a menor dificuldade.

Mais uma vez prova-se inteligência concreta.

Quando começamos a Trabalhar o método Panlexia-Inflex, para reeducação da leitura e escrita, por volta da 6ª lição ele chorou, me abraçou com força, e disse:
“Mamãe porque não me ensinaram assim? É a primeira vez que leio entendendo as palavras, agora está mais fácil.
Toda a família se abraçou, e choramos, mas de alegria.

Quando fomos a Belo Horizonte no Hospital Dr. Ricardo Guimarães, para que ele fizesse exames do Processamento Visual e em decorrência fez a seleção dos filtros seletivos para as lentes que melhor se adaptariam a ele, encontrando a cor ideal, comentou:
As letras estão paradas!!!
Eu me assustei, e disse:
- Porque você não me disse isso antes?
- Porque eu pensava que era normal, que todo mundo via as letras assim se movimentando, saindo do lugar.

Após realizar o Tratamento do Processamento Auditivo Central.
Ele disse: “Mamãe, na sala de aula tem muito barulho, então eu não entendia nada do que a professora dizia, é como se ela falasse uma língua que eu não conhecia, eu não entendia nada, e ficava tentando prestar atenção ao que os professores diziam”.

Com esses três fatos eu pude mensurar o tamanho do sofrimento que meu filho estava vivendo, e bravamente continuando seus estudos, e caminhado com passos lentos, verdade, mas sobrevivendo.
Como amo, admiro meu filho, dono de uma força de vontade incomum, um lutador, um FORTE e com certeza pelo que fez até hoje e fará, um VITORIOSO.

Tem uma legislação especifica para Disléxico?

Temos muitas leis de INCLUSÃO, que apenas englobam a todos sem distinção ou reconhecimento de dificuldades específicas, assim torna-se deficiente o atendimento educacional a disléxicos, discalcúlicos, DDA’s, e TDAH’s, isso dá margem a interpretações errôneas dos transtornos, e influencia negativamente na adoção de práticas pedagógicas a eles.

Inclusão não se trata de garantir a matrícula em escolas normais, e salas de aulas comuns, não se encerra em projetos arquitetônicos, telefones baixos, linguagem de sinais, livros eletrônicos falados etc... é muito mais que isso, para mim é desenvolver o potencial cognitivo de todos, dando-lhes conhecimento acadêmico da forma que cada um aprenda, preparando-os para o mercado de trabalho em igualdade de competição com os demais, ou sob proteção da lei aos que dela vierem a necessitar, e que este trabalho lhes permita manter pelo menos o mesmo nível social que a família lhe ofereceu e a que eles estão habituados, o que tenho visto, é que para os diferentes são destinados trabalhos de menos valia, que é igual a baixos salários.

Mas o Brasil ao assinar o Acordo Internacional de Salamanca reconhece estes transtornos como dificuldades de aprendizagem, embasado neste acordo o MEC emitiu o Parecer 17/2001, reconhecendo e admitindo as suas existências.

O Parecer 17/2001 é grande, vou postar o que nos interessa.
Com a adoção do conceito de necessidades educacionais especiais, afirma-se o compromisso com uma nova abordagem, que tem como horizonte a inclusão.

Dentro dessa visão, a ação da educação ESPECIAL AMPLIA-SE, passando a abranger não apenas as dificuldades de aprendizagem relacionadas a condições, disfunções, limitações e deficiências, MAS TAMBÉM AQUELAS NÃO VINCULADAS A UMA CAUSA ORGÂNICA ESPECÍFICA, considerando que, por dificuldades cognitivas, psicomotoras e de comportamento, alunos são freqüentemente negligenciados ou mesmo excluídos dos apoios escolares.

O quadro das dificuldades de aprendizagem absorve uma diversidade de necessidades educacionais, destacadamente aquelas associadas a: dificuldades específicas de aprendizagem, como a DISLEXIA e disfunções correlatas; problemas de atenção, perceptivos, emocionais, de memória, cognitivos, psicolingüísticos, psicomotores, motores, de comportamento; e ainda a fatores ecológicos e socioeconômicos, como as privações de caráter sociocultural e nutricional.

Nos destaques fica bem claro os CID’s.
CID - F-81-0 – DISLEXIA
http://www.psiqweb.med.br/site/DefaultLimpo.aspx?area=ES/VerClassificacoes&idZClassificacoes=52

CID – F-90-0 – TDAH – http://www.psiqweb.med.br/site/DefaultLimpo.aspx?area=ES/VerClassificacoes&idZClassificacoes=123

Embasado no Parecer emitiu a Resolução:

Na hierarquia das leis federais encontram-se a emenda constitucional, a lei complementar, a lei ordinária, a medida provisória, a lei delegada, o decreto legislativo e a RESOLUÇÃO.

(resolução= Ação ou efeito de resolver. / Meio pelo qual se decide um caso duvidoso, uma questão: resolução de uma dificuldade, de um problema. / Decisão, deliberação: tomar uma resolução. / (dicionário do Aurlélio)

Resolução CNE/CEB Nº 2 - De 11 de Setembro de 2001.

Institui Directrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.
O Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, de conformidade com o disposto no Art. 9º, § 1º, alínea “c”, da Lei 4.024, de 20 de Dezembro de 1961, com a redacção dada pela Lei 9.131, de 25 de Novembro de 1995, nos Capítulos I, II e III do Título V e nos Artigos 58 a 60 da Lei 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, E COM FUNDAMENTO NO PARECER CNE/CEB 17/2001, homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 15 de Agosto de 2001,
RESOLVE:

Art. 1º A presente Resolução institui as Directrizes Nacionais para a educação de alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, na Educação Básica, em todas as suas etapas e modalidades.
Parágrafo único. O atendimento escolar desses alunos terá início na educação infantil, nas creches e pré-escolas, assegurando-lhes os serviços de educação especial sempre que se evidencie, mediante avaliação e interacção com a família e a comunidade, a necessidade de atendimento educacional especializado.

Art. 2º Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.
Parágrafo único. Os sistemas de ensino devem conhecer a demanda real de atendimento a alunos com necessidades educacionais especiais, mediante a criação de sistemas de informação e o estabelecimento de interface com os órgãos governamentais responsáveis pelo Censo Escolar e pelo Censo Demográfico, para atender a todas as variáveis implícitas à qualidade do processo formativo desses alunos.

Art. 3º Por educação especial, modalidade da educação escolar, entende-se um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica.

Parágrafo único. Os sistemas de ensino devem constituir e fazer funcionar um sector responsável pela educação especial, dotado de recursos humanos, materiais e financeiros que viabilizem e dêem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva.

Art. 4º Como modalidade da Educação Básica, a educação especial considerará as situações singulares, os perfis dos estudantes, as características bio-psicossociais dos alunos e suas faixas etárias e se pautará em princípios éticos, políticos e estéticos de modo a assegurar:
I - a dignidade humana e a observância do direito de cada aluno de realizar seus projectos de estudo, de trabalho e de inserção na vida social;
II - a busca da identidade própria de cada educando, o reconhecimento e a valorização das suas diferenças e potencialidades, bem como de suas necessidades educacionais especiais no processo de ensino e aprendizagem, como base para a constituição e ampliação de valores, atitudes, conhecimentos, habilidades e competências;
III - o desenvolvimento para o exercício da cidadania, da capacidade de participação social, política e económica e sua ampliação, mediante o cumprimento de seus deveres e o usufruto de seus direitos.

Art. 5º Consideram-se educandos com necessidades educacionais especiais os que, durante o processo educacional, apresentarem:
I - dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das actividades curriculares, compreendidas em dois grupos:

A) AQUELAS NÃO VINCULADAS A UMA CAUSA ORGÂNICA ESPECÍFICA

B) aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou deficiências;

II – dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos, demandando a utilização de linguagens e códigos aplicáveis;

III - altas habilidades/super dotação, grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes.

Até aqui nos interessa.
Tanto o "PARECER" como a "RESOLUÇAO" se referem às dificuldades de aprendizagem com a mesma frase.

A) AQUELAS NÃO VINCULADAS A UMA CAUSA ORGÂNICA ESPECÍFICA
No parecer 17/2001, está especificado quais são as dificuldades a que esta frase se refere:
DIFICULDADES ESPECÍFICAS DE APRENDIZAGEM, COMO A DISLEXIA E DISFUNÇÕES CORRELATAS; PROBLEMAS DE ATENÇÃO, PERCEPTIVOS, EMOCIONAIS, DE MEMÓRIA, COGNITIVOS, PSICOLÍNGÜÍSTICOS, DE COMPORTAMENTO.
O restante desta resolução poderá ser encontrada no end.
http://www.mec.gov.br/cne/ftp/CEB/CEB0201.doc
(*)CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB 2/2001. Diário Oficial da União, Brasília, 14 de Setembro de 2001. Secção 1E, p. 39-40.




Grupo Inspirare entrevista Edna Braga 26/09/2009


Olá Edna, esteja a vontade para responder essas perguntas e digo que é um prazer do "Inspirare" em fazer esta entrevista

Obrigada a todos vocês pela carinhosa acolhida neste site

Edna, sabemos que um de seus filhos foi diagnosticado como Disléxico, como foi que você recebeu essa notícia? E como a sua família assimilou esta ‘nova’ realidade?

Recebi a notícia em total ignorância, como a maioria dos pais a recebem, não imaginava o que era dislexia nem o significado da palavra, recorri ao dicionário, e veio o susto:
“Repugnância ou dificuldade mental e patológica de ler”

(11ª Ed. Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa – Ilustrado – Supervisionado e aumentado até a 10ª Ed. Por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira).

Junto com o susto, a constatação: Meu filho precisava de ajuda da família e da escola.

Você teve muitos problemas ou dificuldades para obter esse Laudo? Como foi o caminho?

Após repetir séries do maternal diversas vezes, meu filho se tornou muito agressivo, não aceitava orientações, ordens, não tinha mais limites, saía de casa escondido sumia tardes inteiras, recusava-se a fazer qualquer tarefa relacionada à escola, e se isolava do convívio familiar

Em abril, a pedagoga me chamou na escola, com um artigo no jornal sobre DDA, e disse, “seu filho tem muitos sintomas citados na matéria, procure um médico psiquiatra”, e a minha escola não tem estrutura para atendê-lo.

Procuramos o psiquiatra, que não diagnosticou, não explicou.

Procurei a 1ª neurologista, e expliquei o que estava acontecendo, ela baseada apenas em minhas queixas em um exame neurológico de rotina, receitou para ele DOGMATIL “GOTAS DE SULPIRIDA”, devido à reação a medicação foi substituída por Nootrom, e nos indicou uma escola dirigida por um casal de psicólogos, (especial) que ao final daquele ano não se pronunciou a respeito das dificuldades de aprendizagem, nem sobre o comportamento do meu filho.

Em julho daquele ano fui a BH, levei a um 2º neuropediatra, que receitou ‘Tegretol’, também não resolveu, nem o comportamento, nem os problemas escolares.

Em Janeiro do ano seguinte voltei à BH e recorri à minha grande amiga, Maria de Fátima Sander (Bia), psicóloga, trabalhava e lecionava Psicologia da Educação na Fundação Helena Antipoff, pedi socorro, o que está acontecendo com meu filho? Ela disse apenas, Edna querida tenho laços afetivos com você, não serei isenta com seu filho, mas falarei com minha amiga Maria José Carneiro (Zeza) também psicóloga clínica, mestra em educação especial, e funcionária da mesma Fundação, profissional experiente, trabalhava com patologias de leves a graves, e crianças com problemas sócio-economicos.

Zeza fez os testes necessários, o teste de Wisck , QI total 117, (7,5 anos) nenhum déficit cognitivo ou privação de ordem socioeconômica, nem de informação, mas a linguagem já estava prejudicada, e o emocional já acusava baixa auto-estima. Segundo Zeza a evidência era de ‘DISLEXIA’ e aconselhou o encaminhamento do caso para uma fonoaudióloga e neuropediatra para a devida confirmação, e o que mais fosse necessário ao atendimento ao caso.

Voltando procurei a 3ª neuropediatra, entreguei cópia dos testes psicológicos e orientações. Esta solicitou vários exames de saúde, sangue, urina, fezes, eletroencefalograma com foto estimulação, todos eles negativos, mas ela se negou a confirmar a dislexia, penso que não teve conhecimentos específicos das causas da dislexia, ela preferiu atribuir o fracasso escolar do meu filho a mim, superprotetora (a culpa é sempre da mãe).

Procuro uma 4ª neuropediatra ex-aluna da 2ª médica, esta receita Gammar, e pergunta se eu esperava um milagre, apenas isso, não deu explicação ou diagnóstico.

5º neuropediatra, Dr. Wellington, este pede novos exames, inclusive eletroencefalograma, e confirma o diagnóstico da fonoaudióloga e de Zeza, ‘DISLEXIA’, tira dos meus ombros o peso, e a culpa que a 2ª doutora havia me imputado.

Depois dessa fase, como a escola recebeu o seu filho? Precisou usar da Lei de Inclusão? Foi bem recebido? E o atendimento escolar? Seu filho teve muitos problemas em sala de aula?

As escolas particulares e comuns, não o aceitavam, só as escolas especiais que se auto intitulavam Construtivistas aceitaram-no, bem como a todos os casos patológicos de leves a gravíssimos, e trocamos de escolas diversas vezes.

As escolas até então faziam mal a meu filho, sua auto-estima estava muito baixa, e ele vivenciava problemas que poderiam agravar seu quadro, também não ofereciam respostas satisfatórias ao processo de aprendizagem, nesta altura eu já interferia na alfabetização dele, passei a lhe ensinar da forma que eu aprendi e sabia, ‘silabação’ (b+a=ba), houve avanços.

Encontrei uma escola que se dizia Eclética, menos mal, não era construtivista, os professores certamente adotariam diversas práticas pedagógicas capazes de ensinar; foi um terror, a professora da caneta vermelha o considerava lerdo, burro, incompetente, preguiçoso, eu já havia ensinado as operações matemáticas, e me certificado de que ele entendia muito bem o que ocorre na soma, subtração, multiplicação e divisão, mas não lhe era possível decorar a tabuada, ele usava calculadora, esta escola fez uma reunião de pais direcionada, pais da sala do meu filho, foi um ataque, eu ouvi tudo em silêncio, no final me levantei, e disse: Em outras palavras todos vocês estão me dizendo que se nesta escola tiver um aluno cego seus filhos não mais enxergarão, se for um surdo eles não mais ouvirão, se for um paraplégico eles não mais andarão, portanto senhores, ensinem seus filhos a respeitar os limites e dificuldades do meu, porque ele vai continuar usando a calculadora sim. E saí. De cabeça erguida, orgulhosa do meu filho.

Como os professores reagiram às dificuldades, ou melhor, com o "distúrbio de Aprendizagem apresentado?

Não conseguiam ensinar, não adotavam praticas pedagógicas indicados para o caso, e eu sabia que o caminho era a concretização e assim eu fazia em casa, e ele mostrava progresso nas outras disciplinas persistindo a dificuldade na leitura e escrita.

Mas ele não desistia do que ele mais gostava, a eletroeletrônica, solicitei ao CEFET, que permitissem meu filho freqüentar aulas práticas de eletroeletrônica, foi o caos, LOUCA ESTA MÃE, até a mão levantaram para mim, mas não me intimidaram, entrei na Promotoria Federal, acreditava que se eu mostrasse a meu filho que ele era competente e capaz de aprender coisas mais complexas, sua auto estima melhoraria, e ele podia dar um salto de qualidade de vida. Após acordo judicial ele passou a frequentar aulas prática no CEFET, o professor que o avaliou no CEFET disse: “Grande facilidade de aprendizagem”. Confirmava-se o que minhas amigas mineiras diziam: CONCRETIZE. Meu filho passou a ter aulas com um professor, que sem ganhar nada extra, o ensinava nas horas de folga (sou eternamente grata ao professor Eli), com orientação e supervisão dele meu filho elaborou um quadro de comando para funcionamento de elevador, muito lindo!!!!!

Quanto tempo vocês estão nessa luta?

A luta já dura 13 anos.

Sempre estão tendo problemas?

Constantemente, alguns exemplos.
Cansada com as escolas particulares, e a exclusão do meu filho destas, procurei uma escola pública, em frente à minha casa, a diretora sabia o que era dislexia, não tive problemas neste ano, a professora compreendeu e apoiou, ele progredia na escola e o que eu ensinava em casa complementava, ele fez uma linda redação que ficou em 2º lugar geral entre as escolas publicas, ganhando até prêmio, o título? “DROGAS UM CAMINHO SEM VOLTA”, e paralelamente ele continuava nas aulas práticas do CEFET. Ele já não estava agressivo, nem se recusava a freqüentar as escolas, estava dando certo.

5ªSérie - Mudou a diretora da escola, os problemas se multiplicaram na mesma proporção que as disciplinas, começou outro calvário, professores não compreendiam as dificuldades do meu filho, consideravam-no lerdo, burro, negligente, preguiçoso, apresentei atestado médico, pedi, implorei, expliquei, levei artigos para a escola, o neuropediatra fez palestras aos professores e pais, até que não foi mais possível, passaram dos limites, e recorri à Promotoria Pública. Esta fez cumprir a Legislação vigente, assegurou sua permanência na escola, fechou-a por dois dias, e uma psicóloga, e uma psicopedagoga promoveram palestras, e orientaram a todos os professores quanto a necessidade destes de adotar práticas pedagógicas específicas para crianças com dificuldades de aprendizagem e nada mais poderiam fazer. Em agradecimento a oportunidade de aquisição de novos conhecimentos pedagógicos, no final das palestras os professores cantavam a música “Eu sou a mosca que pousou na sua sopa...”, para que eu ouvisse de casa. Estou calejada, revidei, comprei o CD, e todos os dias, pela manhã e à tarde horários de chegada dos professores eu colocava a mesma música para eles ouvirem.

Desanimado com a incompreensão dos professores, o esforço insano para ler e escrever, o enorme tempo dedicado a estudar e obter sucesso nas provas, ele foi aos poucos desanimando com as aulas do CEFET, até que abandonou aquilo que ele mais amava na vida, dedicando-se apenas ao currículo escolar que lhe era inerente. Daí a pouco pediu para frequentar uma escola particular em contra turno sem compromisso com provas e notas, para não se sentir inferior aos colegas, que o consideravam ‘incompetente’ e o excluíam dos grupos de trabalho.

7ª Série - Primeiro dia de aula, o professor de matemática vociferou, ninguém este ano vai usar calculadora. Meu filho chegou em casa arrasado, com medo, apavorado: “mamãe como vou decorar a tabuada já tentei tantas vezes, não consigo”. Eu o tranqüilizei, não responda meu filho, não diga nada, quando necessário você pega a calculadora e simplesmente usa, qualquer coisa estou aqui. Seu pai vai chegar antes do diretor sair da escola. Se acalme, e vá para a aula. Alguns professores compreendiam e faziam provas de acordo com as necessidades dele, procuravam ajudá-lo da forma que podiam.

Mas veio também o professor de Educação Física, a aula dele era apenas futebol, entregava a bola aos meninos sentava-se na sombra, e nem sabia o que acontecia na quadra. Um dia um dos colegas disse ao meu filho “você está atrapalhando nosso time, é perna de pau” e passaram a se referir a ele como ‘esquisito’, a partir disso ele se recusou a freqüentar estas aulas, passou a ficar dentro da sala de aula, o professor notou sua ausência, e foi perguntá-lo porque se recusava a ir às aulas de Ed. Física, e ele falou o motivo. Este professor insensível passou a mandar os colegas irem a classe chamá-lo todos os dias, eu pedi que não fizesse isso e expliquei, que os meninos tinham humilhado meu filho, que respeitasse sua limitação e o incentivasse de outra forma, então o professor disse que ele seria avaliado por prova escrita. Meu filho não se negou, fez o que foi pedido, uma Redação sobre Higiene Pessoal, muito boa, a redação era bem estruturada e coerente, tinha inicio, meio e fim. O professor deu nota 2, reclamei, a alegação do mestre: “seu filho é porco, escreve errado e torto, rabisca, é um desleixado, preguiçoso, e fez a prova de má vontade”.

Mais uma vez recorri à Promotoria Pública no sentido de reverter à nota, não houve reavaliação de nada, e não há Lei que obrigue os mestres a rever seus métodos pedagógicos.

Você sabe identificar as causas?

Faltam no Brasil organização e definições no ensino. Como ocorre a inclusão em salas de aula, definição de metodologias pedagógicas, profissionais capazes de atender a todos e aperfeiçoamento de professores. A falta de planejamento faz com que as famílias sejam obrigadas a comparecer constantemente nas escolas, muitas vezes entrando em atrito para que se cumpram orientações psicopedagógicas, a serem adotadas para o pleno desenvolvimento cognitivo das crianças.

O mais importante, falta uma lei para os disléxicos, discalcúlicos, DDA, de TDAH, que defina diretrizes específicas para estes, que respeite seu ritmo, sua forma peculiar de aprender e seu direito de ser avaliado quanto ao conhecimento adquirido das formas que lhe sejam adequadas, (estas podem também beneficiar as crianças com problemas socioeconômicos), possibilitando uma referência para as escolas, professores, e que nós pais tenhamos a quem recorrer quanto ao direito dos nossos filhos a uma educação de qualidade.

O MEC ao não ouvir as famílias sobre os problemas que seus filhos enfrentam no dia-a-dia em sala de aula e no convívio escolar, subtrai muitas das nossas crianças do processo educativo, desrespeita os pais, cidadãos, contribuintes, e compromete o futuro dos nossos filhos.

Ao não aprovar Leis claras para dificuldades específicas de aprendizagem o Brasil está excluindo de muitas crianças o direito à educação garantida por nossa Constituição Federal.

As escolas são mal informadas e formadas, não aceitam novos desafios, não pesquisam, não estudam, não opinam, não apresentam solução, não incluem nos seus projetos políticos pedagógicos e não cumprem diretrizes para a educação diferenciada aos que dela necessitam e não estão dispostas a promover a inclusão.

Os professores em sua maioria ainda enxergam seus alunos como uma massa homogênea, estão cansados, desanimados porque não foram preparados para trabalhar com a diversidade dentro das salas de aula.

Se alguns alunos não aprendem da forma que ensinamos, devemos ensinar de forma que aprendam.

Somos um grupo de pais de crianças com “dificuldades de aprendizagem”, preocupados com o futuro dos nossos filhos, estamos disponibilizando este espaço à discussão “COMO PODEMOS AJUDAR NOSSOS FILHOS”.

Os pais estão sendo excluídos das discussões de políticas educacionais que ocorrem por todo o país. Não podemos mais nos calar e nossa união se faz necessária, para que possamos participar das decisões políticas pertinentes aos nossos filhos.

Leis que obrigam escolas a aceitar a matrícula de alunos portadores de patologias têm muitas.

Mas de práticas pedagógicas diferenciadas para transtornos específicos como dislexia, discalculia, DDA, TDAH não existem.

Há um hiato entre matricular, e dar conhecimento acadêmico, ensinar, respeitar particularidades e o tempo de aprendizagem de cada um para desenvolver seu potencial cognitivo.

Preocupados com o tratamento dispensado aos nossos filhos por inúmeros professores e muitas escolas, no que concerne à educação acadêmica e aprendizado, nas relações sociais entre alunos considerados “normais” e os que “necessitam de atenção diferenciada” é que acolheremos em nosso site pessoas sensíveis a esta causa, pais dispostos a lutar pelos direitos dos seus filhos, portadores de todo tipo de transtornos, síndromes, e patologias ainda não protegidos por leis específicas e com deficiências.

No Brasil a Inclusão não é realidade, famílias ainda se defrontam com problemas e conflitos nos estabelecimentos educacionais.

Pais cansados de receber bilhetinhos convidando-os a comparecer na escola para resolver problemas pedagógicos, ou comunicando que seus filhos não participarão de determinadas atividades extra-escolares, ainda insinuando que os filhos são lerdos, não aprendem, ou que serão expulsos por mau comportamento, obriga pais a processá-las estas passam a perseguir as crianças até que elas ou os pais desistam e transfiram seus filhos de escola... de escola em escola....
Tudo isso leva muitos pais a uma busca incansável, diária e permanente para encontrar outras famílias que queiram se unir num só movimento, mostrando que não somos poucos, e que temos um objetivo, intervir politicamente pelos direitos de educação de qualidade para nossos filhos.
Cansados de muitas lágrimas solitárias, e procurando aliviar preocupações, desabafar angústias, sofrimentos iniciamos pelo Orkut a captação de famílias que procuram seus pares, constatamos que o problema é comum por todo o Brasil, crescemos, transformamos o Orkut em comunidades, surgindo a idéia de um site, que nos permitirá alçar novos vôos, nossa voz se estenderá a outro patamar, muitos hoje indiferentes ouvirão...


Consideramos que este é o momento, desejamos despertar todos a defender o que é de nossa obrigação, o direito inalienável dos nossos filhos.

Sejam bem vindos, colocamos este site à disposição de todos.